Social Media Prepotency

Da série “perigos da social media pirralha”, a história começa assim, ou pior, termina assim:

Dois indivíduos tem uma idéia e decidem criar um espaço em uma rede social qualquer para divulgar um determinado conteúdo. Num dia desses, um indivíduo publica algum conteúdo ligeiramente relacionado ao tema que os outros dois indivíduos escolheram para seu trabalho porém com um comentário que de alguma forma ataca o tema, não o espaço. Ao entenderem isso como um ataque indireto ao espaço, uma discussão se inicia, levada para o lado pessoal e muita merda é jogada no ventilador. Quando termina, alguns anos de amizade levaram Shift-Del.

Detalhe importantíssimo  que dá título ao post: os dois indivíduos de alguma forma acharam que o terceiro indivíduo sabia da existência de tal espaço e de que tal espaço era de autoria deles, sem saberem que nessa mesma rede social, o conteúdo gerado por eles já não era observado pelo terceiro indivíduo, graças ao tal do “unfollow” ou “unsubscribe”. Como ele saberia, já que não se interessa pelo assunto e muito menos estava vendo-os falarem sobre o assunto?

O que justifica o título do post é que nesse e outros casos, os criadores de conteúdo foram prepotentes em achar que seu conteúdo de fato atinge a todos. É como se eu postasse algo de um determinado tema no meu blog e puxasse papo com alguém do metrô sobre esse tema, recebendo uma opinião contrária a minha sobre ele e entendendo que a pessoa não gosta do meu blog, lançando-a sobre os trilhos logo após.

Não é porque apareceu na sua timeline que isso vai ter espaço no jornal das 8. Em específico sobre o Facebook, não é porque você postou que vai aparecer na timeline do seu colega, já que seu amigo e subscriber tem a opção de manter a amizade no Facebook mesmo não querendo saber nada do que você fala. A pegadinha está aí, com os botões “Hide all from …” e “Unsubscribe” e com ferramentas como o FB Filter, que bloqueia conteúdo de acordo com palavras-chave. Em específico sobre o Twitter, um follower pode te colocar em uma lista de mute ou no filtro do seu cliente preferido porque você fez flood de algum conteúdo que de alguma forma o incomoda e daí para a frente, seu conteúdo não chega a ele.

Concluindo: a desinformação que leva a esse cenário constrangedor se cura estudando as ferramentas, o modo como as ferramentas podem ou não entregar o conteúdo a quem você quer e o modo como seu público-alvo pode se engajar em discutir e repercutir sobre seu conteúdo, mesmo que você só queira um boca-a-boca preliminar antes de partir para o marketing pesado.

Agora eu vou lá encontrar meus ex-colegas do jardim de infância e perguntar a eles o que acham disso.

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Crônica do Lixo

Lixo a gente coloca no saco preto, tira de casa, deixa na calçada e espera o lixeiro levar.

Por mais que ele tente se expressar através do fedor e por mais que você se incomode por ter largado ali, o lixo não deixará de ser lixo e nesse ponto ele não traz nada de útil que valha a pena cogitar abrir o saco e tentar trazer algo de volta pra dentro de casa.

Possívelmente o volume seja grande pela quantidade de insumos que você deu a ele, possívelmente ele vá incomodar outras pessoas com seu fedor, possívelmente ele se rasgue e deixe cair algo pesado no seu pé, mas pode ter certeza: o lixeiro irá levá-lo para um lugar distante conhecido como aterro sanitário e de lá ele não poderá incomodar ninguém enquanto se dissolve em chorume. Talvez incomode alguns lixeiros no seu percurso, talvez ele caia na rua, sendo levado por uma enxurrada e entrando na casa de quem não tem nada a ver com a história, mas enquanto isso não acontecer até os lixeiros sabem que logo mais aquele peso sem valor que de nada adianta fazer algo será enterrado e deixado inócuo pela eternidade.

Coitados dos acumuladores, aqueles com compulsão em manter o lixo dentro de casa, amarrados de forma cruel ao que é descartável; desses é a dura pena de sentir dor quando ouvem o ruído do motor do caminhão.

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A língua a serviço da sociedade

Nesse artigo da Revista Globo, os seguintes dizeres:

Assim como a sociedade, a língua é uma entidade viva e está em constante modificação – não se encontra estática em um livro de gramática. A língua tem que estar a serviço da sociedade, e não o contrário. A norma dos cultos, que, hoje, é considerada a padrão, amanhã, pode não o ser mais.

Quer dizer, sendo uma entidade viva, parece que por ela falhar em impor suas regras formais – ou em ter suas regras impostas por pais, professores e sociedade – de tempos em tempos tem seu rigor aliviado e deve se adequar às regras informais, coloquiais, incentivada pela infinidade de momentos em que a expressão se torna mais importante do que suas restrições.

Pensando pelo lado “maldita inclusão digital que nem sabe escrever e já sai escrevendo no Face”, isso é péssimo, mas, pensando no dia-a-dia, quando lemos dezenas de artigos e escrevemos outras dezenas, seja na internet, na redação, ou mesmo mentalmente, vemos que tudo está a favor de uma linguagem flexível e compreensível, tanto para o cidadão de pensamento simples como para um doutor. Isso se repete sempre e dada sua ciclicidade não tão óbvia – a não ser que você tenha lido dezenas de edições de livros de gramática da língua portuguesa – talvez muito do que consumimos e produzimos já fora considerado gramaticalmente errado.

Portanto, pode parecer estranho, mas em um futuro bem próximo – observada a forma como os brasileiros estão escrevendo – as seguintes mudanças na língua portuguesa poderão ser mais aceitas, senão oficializadas:

Desobrigação do R ao final do verbo através da transformação da palavra em oxítona

Vamos lá toma umas cervejas e conversa um pouco

Aceitação do pronome oblíquo “mim” antes de um verbo

Antes eu não conjugava os verbos de forma correta. Agora mim pode conjugar

Flexibilização da concordância nominal

Eu fui comprar uns jogo no Centro

Advérbio de intensidade mais como conjunção adversativa mas

Escrevo assim mais nem ligo

Nesse momento eu penso em… “cruzes!”, mas não importa. Eu estou longe de escrever bem, portanto, longe de ter razão em criticar quem não escreve seguindo todas as normas.

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