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Archive for novembro \24\UTC 2011

Apresentando: HaavokIPC

Então você pega um projeto de sistema feito em PHP 4 (um dos ~7% de sites que ainda usam essa versão) e precisa usar algum componente que só funciona no PHP 5. Você pensou em um web service local em uma segunda instância do Apache rodando PHP 5, mas dadas as características do ambiente onde a aplicação roda e da dificuldade de fazer o deploy do segundo servidor, você foi proibido pelo chefe de fazer isso. Você pode também executar código entre diferentes versões de PHP ou mesmo na mesma versão, mantendo uma parte da sua aplicação em uma sandbox.

Para isso há várias soluções, dependendo dos requisitos. O HaavokIPC dá conta destes: chamadas síncronas a funções ou métodos de objetos/classes; uso dos dados retornados através de callbacks; uso em parte da aplicação que não exige alta performance. Ele não usa servidores ou conexões, ele executa o binário do PHP e se comunica com ele através de um arquivo serializado ou persistência. Os objetos responsáveis pela persistência e serialização são plugáveis e novos objetos podem ser desenvolvidos sem perda de tempo, apenas respeitando a interface. Por enquanto estão disponíveis os seguintes objetos de persistência, chamados de Drivers: File, Memcache e Shm, que usam, respectivamente, um arquivo, um servidor do memcache ou shared memory de ambientes *nix. Para a serialização, estão disponívels os Serializers Default, que usa as funções serialize e unserialize nativas do PHP e Msgpack, que usa a extensão msgpack.

Ele foi desenvolvido para ser compatível com boa parte das versões de PHP entre 4 e 5.

A documentação ainda não está madura e há muito a se fazer no código em termos de performance e arquitetura, como todo bom projeto experimental.

O código está disponível no GitHub -> HaavokIPC/PHP

Update 25/11/2011
Estou portando o HaavokIPC para Ruby e isso me obrigou a fazer mudanças na arquitetura, a fim de tornar a configuração e a conversa entre front end e back end mais fácil, seja de PHP para PHP, PHP para Ruby ou de Ruby para PHP. Criei um novo repositório para este port, disponível em HaavokIPC/Ruby. Mais pra frente espero portá-lo para outras linguagens.

Update 30/11/2011
O desenvolvimento do HaavokIPC em Ruby está congelado enquanto trabalho no refactoring da versão em PHP, com alterações mais profundas do que simplesmente tornar sua configuração mais flexível.

Provocações + Gabações

Vou parar de me gabar por ter um smartphone, um bom computador, um bom trabalho com um nobre título. Espero que todos que possuem um bom tênis, um bom carro, o melhor smartphone ou o melhor sonho material façam o mesmo. Vou começar a me gabar por ter um teto, água potável, esgoto encanado, comida na mesa e a oportunidade de sair de casa sem medo de levar um tiro de lugar nenhum. Porque, afinal, o sentido da “gabação” é se sentir superior ao indivíduo ao lado por ele não ter o que você não tem. Mas ora, vejo todos os dias pessoas no metrô com seus bons tênis e smartphones doentemente se comparando aos que já tem, sendo esse ato correspondido pelo indivíduo ao lado. Portanto, não há mais sentido em tal tipo de gabação. Todos já chegaram ao topo com seus bons computadores e bons trabalhos de nobre título. Agora chegou a hora de fazer a gabação valer a pena. Vamos nos gabar para os que vivem abaixo da linha da pobreza, para os que comem palma todos os dias e consideram um raro calango uma iguaria chique para seus padrões. Vamos nos gabar para quem tem que fazer suas necessidades fisiológicas em um buraco no meio da terra – junto a outras 100, 200 pessoas. Vamos nos gabar para aquele garoto obrigado pela mãe a pedir uns trocados no farol e pra sua irmãzinha que está se prostituindo a duas quadras.

Mais importa exibir nosso mundinho cada vez mais fechado em uma vitrine mentirosa.

Doentes.

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Critério

Outro dia eu ouvi de um colega que eu deveria ter mais critério na hora de reparar em uma mulher.

O lucro de empresas que oferecem conteúdo de auto-ajuda do tipo “conquiste uma parceira” ou “envie seu nome e o nome da sua paixão via SMS para BLABLABLA está alto por causa disso: muitos limites, pouca verdade na hora de gostar de uma pessoa.

O cara encontra alguém dentro do critério que faz parte do “senso comum da sociedade”, digamos “alta, magra, loira, olhos azuis” e por medo de perdê-la, acaba colocando uma máscara e a partir daí, só se relaciona com ela usando essa máscara.

Eu sou muito mais viver com quem eu gosto, tendo a certeza que o máximo que me fez escolhê-la foram preferências (que não são opções, escolhas e muito menos obrigações) e não limitações. É isso que faz um relacionamento respirar e ser confortável enquanto durar.

É isso que me faz ser feliz pra caralho com uma morena gordinha de estatura média e olhos castanhos. Se eu não “tive critério” para ficar com ela, que dirá na hora de reparar em outras mulheres.

Critério reduzindo uma gama de possibilidades de ser feliz? Ah, vá.

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