Scooby

Chega o final do ano e logo as vendas de biribinhas, bombinhas, morteiros e fogos aumentam em todo o Brasil. Vendas em número inversamente proporcional ao número de pessoas que possuem bom-senso e responsabilidade para usar estes artefatos.

Nesse post em específico, não vou falar de acidentes com rojões ou similares. Vou contar a história do Scooby, um cachorro dócil e tranquilo que vive na rua onde minha namorada reside. Tem uma vida pacata  sempre bem tratado por todos na rua, exceto por alguns maconheiros que insistiam em baforar na cara dele. Mas esse não é o ponto.

Estava ele numa boa, quando alguns garotos chegaram para imbecilizar brincar na rua. Compraram morteiros e começaram a estourar. Em determinado momento da idiotice brincadeira, o Scooby estava por perto e um morteiro foi jogado em sua direção. Scooby, com toda a sua inocência e tranquilidade de 6 anos de idade, colocou o artefato na boca. Então a bomba explodiu e agora ele está desdentado, surdo e quase cego. O filho da puta irresponsável garoto que jogou o morteiro está cuidando dele hoje. Isso não é nem o mínimo depois de tamanha merda. O cachorro perdeu parte dos seus sentidos primordiais (aliás, que sentido não é primordial) e em um estado similar ao do ex-soldado que aparece aos 0:43 deste vídeo.

Passem pra frente essa idéia: Respeito pelo próximo não quer dizer somente respeito pelo próximo humano. Respeito pelo próximo significa respeito por tudo que respira.

Finalizo com um texto que George G. West usou no tribunal para defender seu cliente do qual teve seu cão assassinado a tiros por seu vizinho:

Senhores jurados!

O mais verdadeiro dos amigos que um homem pode ter neste mundo egoísta, aquele que nunca o abandona e nunca mostra ingratidão ou deslealdade  é o cão.

Ele permanece com seu dono na prosperidade e na pobreza, na saúde e na doença. Dormirá no chão frio, onde os ventos invernais sopram e a neve se lança impetuosamente.. Quando só ele restar ao lado de seu dono, ele beijará a mão que não tem alimento para oferecer, lamberá as machucaduras e as dores que aparecem nos encontros com a violência do mundo.

Ele guarda o sono de seu pobre dono como se fosse de um príncipe.

Quando todos os amigos o abandonarem, o cão permanecerá. Quando a riqueza desaparece e a reputação se despedaça, ele é constante em se amor, como o Sol na sua jornada através do firmamento. Se o destino arrasta o dono para o exílio, o desamparo e o desabrigo, o cão fiel pede o privilégio maior de acompanhá-lo, para protege-lo contra o perigo, para afrontar seus inimigos.

Quando a últimas cena se apresentar, a morte o levar em seus braços e seu corpo for deixado na laje fria, mesmo que todos os parentes se retirem, lá ao lado da sepultura, se encontrará seu nobre cão, a cabeça entre as patas, os olhos tristes, mas em atenta observação, fé e confiança, mesmo diante da morte.

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