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It’s evolution, babe

Então você tem 16 anos, é aficcionado por música e tem uma lista findável (infindável só será quando você tiver 25) de bandas do underground que poucas pessoas conhecem, que só você conhece ou que sequer existem, do ultra-real-horrorshow-underground, mas fazem um som incrível.

De repente, em um belo dia de sol e céu azul – que você não viu porque estava trancado no quarto, garimpando o Last.fm, Grooveshark ou o Metal-Archives – você se depara com o anúncio de que uma das bandas da lista está vindo da Eurásia para um show único no Brasil e repara a lista de gordos patrocínios que está no rodapé do flyer. Incluem-se casas de show famosas e rádios rock e pop bastante comuns no dial do FM.

E aí você fica feliz pra caralho porque finalmente poderá ver seus absolutamente desconhecidos ídolos.

Não. Você fica puto. Puto porque fomentava um certo orgulho por ser um dos poucos com o privilégio – ou “dádiva”, dependendo da arrogância do ouvinte – de conhecer aquela banda e agora, com tamanha promoção em todos os meios de comunicação possíveis e ininventados (?), se depara com a verdade: poderá ser o único no meio do show que cantará todas as músicas. E claro, achará que quem sabe cantar fez curso de memorização e decorou 3 álbuns em menos de 1 semana, após ouvir no rádio, gostar do single, baixar a discografia no Pirate Bay e logo em seguida, comprar um ingresso na Galeria do Rock (com uma camiseta por um preço nada camarada, talvez).

E no contato físico, na conversa, você vai tentar diminuir qualquer pessoa que conheça aquela banda com inúmeras questões do tipo “qual é o nome da 67ª faixa da primeira demo que não foi lançada?”, abstraindo-se de qualquer idéia de felicidade que possa vir do encanto da raridade do evento.

Porque, meu amiguinho, aquele é seu orgulho. É sua forma de sentir tesão e obter orgasmos auditivos com cada descoberta. E se não é uma descoberta só sua, seu orgulho é automaticamente ferido. Oras, mas veja que para os que não conheciam tal banda, também é um orgasmo! O orgasmo coletivo de participar de uma descoberta, de fazer parte de uma mobilização por algo novo e dito massificado.

Por sorte, quando você chegar aos 25 anos e sua lista for infindável, se somar a outras listas, como de bandas do mainstream, uma recomendação de banda ou estilo que bomba no Twitter ou até mesmo do FM – se você for um maldito eclético – você verá que tudo isso é besteira e que foi bom ter ficado na adolescência. Vale o respeito recíproco entre aqueles que estão tentando aprender mais sobre a novidade, e aos que manjam pra caralho entender que o som é para todos (#instantrimshot).

Assim, ciclo se repete, entre orgulhosos, cult early-adopters, mainstreamers e marias-vão-com-as-outras. Isso aconteceu, acontece e acontecerá. Desde o inner circle raw ultra kvlt black metal norueguês (com um membro finlandês) até o indie (?) de Placebo.

Reflita: dá pra fugir do mainstream e do massificação em pleno 2011, com muita gente xingando no Twitter? Pense pelo lado das bandas.

Falando em Placebo, quem conheceu a banda por causa do show e não por “Pure Morning”, pra mim, é poser. Just kidding 🙂

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