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Crônica do Lixo

Lixo a gente coloca no saco preto, tira de casa, deixa na calçada e espera o lixeiro levar.

Por mais que ele tente se expressar através do fedor e por mais que você se incomode por ter largado ali, o lixo não deixará de ser lixo e nesse ponto ele não traz nada de útil que valha a pena cogitar abrir o saco e tentar trazer algo de volta pra dentro de casa.

Possívelmente o volume seja grande pela quantidade de insumos que você deu a ele, possívelmente ele vá incomodar outras pessoas com seu fedor, possívelmente ele se rasgue e deixe cair algo pesado no seu pé, mas pode ter certeza: o lixeiro irá levá-lo para um lugar distante conhecido como aterro sanitário e de lá ele não poderá incomodar ninguém enquanto se dissolve em chorume. Talvez incomode alguns lixeiros no seu percurso, talvez ele caia na rua, sendo levado por uma enxurrada e entrando na casa de quem não tem nada a ver com a história, mas enquanto isso não acontecer até os lixeiros sabem que logo mais aquele peso sem valor que de nada adianta fazer algo será enterrado e deixado inócuo pela eternidade.

Coitados dos acumuladores, aqueles com compulsão em manter o lixo dentro de casa, amarrados de forma cruel ao que é descartável; desses é a dura pena de sentir dor quando ouvem o ruído do motor do caminhão.

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Categorias:Divagações
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