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Archive for the ‘Divagações’ Category

Texting Dead x Walking Dead

Um Texting Dead é como um zumbi de Walking Dead que vaga por aí aparentemente sem rumo, movido por algum mecanismo inconsciente. Talvez você os tenha encontrado por aí, no meio da calçada ou no túnel que liga as plataformas da Consolação e Paulista no metrõ paulistano, emperrando o caminho de quem está atrás e interrompendo o fluxo normal. Para nossa sorte, os texters não comem cérebros. Na verdade eles comem sua paciência. Porque tem que ter muita paciência para andar atrás de uma pessoa que está tentando digitar no celular enquanto anda e acaba não fazendo nenhuma das duas coisas direito. No pior cenário, a digitação sai perfeita (até ela começar a levar pisões nos calcanhares e se tocar).

A não ser que você seja um cientista criando uma vacina para uma doença infectocontagiosa e precise fazer auto-inoculação porque todas as suas cobaias estão mortas (ou tem bom senso suficiente para não terem se tornado cobaias), você não contrai uma doença querendo, né?

Então está aí a principal diferença entre um walking dead e um texting dead. Um pegou a doença pelo ar, pelo toque ou por uma mordida e tenho certeza que não foi desejo nem fetiche dele ser mordido. Dói e necrosa. E dói.

O outro é um imbecil, mesmo.

Palavra do haterismo.

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Cansado

Como um velho usuário de internet (desde 1997) eu devo dizer que prefiro muito mais o tempo em que o acesso era restrito, o fluxo de conteúdo era menor e informações pessoais não eram exibidas em excesso. Só poder entrar depois da meia-noite para pagar mais barato pela conexão era o que dava a graça de um mundo para poucos.

Naquela época, conhecer pessoas era mais emocionante e você quase nunca via a foto da pessoa de cara, fazendo infindáveis perguntas para descobrir com quem estava conversando e o que tinham em comum. Nosso ponto de encontro era o UOL ou o IRC (para usuários um pouco mais avançados), nossas conversas e construções de amizades mais íntimas rolavam no ICQ ou no MSN. Nossas “comunidades” eram blogs e grupos de e-mail. Tão raras eram as descobertas de pessoas com gostos semelhantes que o valor que dávamos às conexões era muito maior. O maior contraste disso tudo é dos muitos cliques e muitas teclas para formar uma amizade contra um só clique para destruir uma amizade, hoje.

Não haviam exabytes de espaço para nossas fotos – podíamos postar no máximo uma foto por dia no Fotolog. Baixar uma foto demorava minutos. Baixar uma música demorava horas. Nós ficávamos afoitos para falar com as paqueras online porque celular era caro e só servia para fazer ligações e enviar torpedos. O compartilhamento não era instantâneo, disquete era caro, gravador de CD era raro, cabo USB era lento, scanner era lerdo, uploads também duravam horas.

Tudo isso aqui pode parecer novo e empolgante pra você, mas eu já usei demais e estou largando aos poucos. Veja bem, não estou me gabando de ter tido tudo isso antes de você, só estou dizendo que brinquei muito de internet e cansei. Como um avô que brinca com seu neto e não tem mais tanta energia para segui-lo.

Eu tenho Facebook, mas não uso Facebook. Não estranhe se eu não interagir muito. Não sou anti-social, sou hiper-social; estou contra a maré, desejando mais e mais que as relações humanas voltem a ser como eram antes: desconectadas de uma máquina.

Vacilo

Tive medo de encarar um processo judicial, por isso não citei nomes.

Por falta de conhecimento do modo como hackers white hat atuam, tive medo de entrar em contato com as empresas relacionadas.

Falo disso Combinação Perigosa e disso Combinação Perigosa II.

Então digamos que de certa forma eu poderia ter ajudado a evitar isso Ataque ‘silencioso’ atingiu mais de 4 milhões de modems banda larga no Brasil e isso The tale of one thousand and one DSL modems.

Foi mal.

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Sobre o 9º dígito para Symbian

Eu gostaria de fazer algo mais prático, que não sujeitasse os usuários mais leigos a se aventurar em códigos, interpretadores de linguagens de programação e linhas de comando. Até porque hoje em dia não faz muito sentido ter que usar programas de computador para determinadas tarefas se os próprios celulares podem realizá-las. Eu gostaria de fazer uma solução mais eficiente, que não dependesse de adivinhações para cumprir seu objetivo.

Para isso eu preciso de pelo menos 3 ferramentas:

  • Mais detalhes da mudança, principalmente no que se refere a “o quê não muda” para prevenir erros, como no caso da primeira versão que foi criada com a suposição de que todos os números de 6xxx a 9xxx (e alguns 5xxx) no DDD 11 são celulares, o que desconsiderava que alguns 7xxx não cabem nas regras de mudanças da Anatel.
  • Um bom conhecimento em desenvolvimento de aplicativos para a plataforma Symbian, de forma portável e adaptável entre vários modelos e subplataformas, e democrática, para que pessoas que usam celulares antigos também possam ter a mesma facilidade que as pessoas com celulares novos terão.
  • E por último, mas de extrema relevância: que a ABR Telecom não cobrasse R$ 6.000 mensais pelo uso da API do seu  serviço “Consulta Portabilidade”, que permite consultas automatizadas sem a obrigação de digitar captchas.

Não sei como são os projetos das apps que foram lançadas para Android, iOS, Blackberry e outras plataformas (dá pra notar que não sou usuário de nenhuma delas), mas eu tenho uma leve suspeita de que, por algumas serem pagas, os desenvolvedores estão pagando pelo serviço da ABR Telecom e esse valor é custeado por parte do valor que eles ganham por cada venda das apps.

O primeiro item é fácil. A internet está aí para isso.

O segundo item demanda tempo, o que eu não tenho devido a um projeto importante na empresa em que trabalho.

O terceiro eu acho impossível. Até poderia falar sobre alguma esperança envolvendo uma intervenção da Anatel, mas não tenho base técnica para isso e não tenho conhecimento dos motivos pelos quais a ABR Telecom cobra tão caro por um serviço tão simples. Privacidade dos assinantes, talvez?

Finalizando: disponibilizei a ferramenta de forma gratuita, experimental e em código aberto.

  • Gratuita porque não é justo onerar o cidadão pela mudança.
  • Experimental porque a idéia era originalmente para uso pessoal, meu conhecimento sobre o assunto é superficial e a interpretação das regras e transformação destas em uma ferramenta informatizada estão sujeitas a erros.
  • Em código aberto para que os usuários possam contribuir com sugestões e para que pessoas com mais tempo e com conhecimento suficiente possam modificá-la, redistribuí-la e quem sabe usá-la como base para futuras adaptações em outras plataformas ou linguagens.

Logo mais surgirá uma app decente para Symbian. Não pelas minhas mãos, infelizmente.

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Crônica do Lixo

Lixo a gente coloca no saco preto, tira de casa, deixa na calçada e espera o lixeiro levar.

Por mais que ele tente se expressar através do fedor e por mais que você se incomode por ter largado ali, o lixo não deixará de ser lixo e nesse ponto ele não traz nada de útil que valha a pena cogitar abrir o saco e tentar trazer algo de volta pra dentro de casa.

Possívelmente o volume seja grande pela quantidade de insumos que você deu a ele, possívelmente ele vá incomodar outras pessoas com seu fedor, possívelmente ele se rasgue e deixe cair algo pesado no seu pé, mas pode ter certeza: o lixeiro irá levá-lo para um lugar distante conhecido como aterro sanitário e de lá ele não poderá incomodar ninguém enquanto se dissolve em chorume. Talvez incomode alguns lixeiros no seu percurso, talvez ele caia na rua, sendo levado por uma enxurrada e entrando na casa de quem não tem nada a ver com a história, mas enquanto isso não acontecer até os lixeiros sabem que logo mais aquele peso sem valor que de nada adianta fazer algo será enterrado e deixado inócuo pela eternidade.

Coitados dos acumuladores, aqueles com compulsão em manter o lixo dentro de casa, amarrados de forma cruel ao que é descartável; desses é a dura pena de sentir dor quando ouvem o ruído do motor do caminhão.

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A língua a serviço da sociedade

Nesse artigo da Revista Globo, os seguintes dizeres:

Assim como a sociedade, a língua é uma entidade viva e está em constante modificação – não se encontra estática em um livro de gramática. A língua tem que estar a serviço da sociedade, e não o contrário. A norma dos cultos, que, hoje, é considerada a padrão, amanhã, pode não o ser mais.

Quer dizer, sendo uma entidade viva, parece que por ela falhar em impor suas regras formais – ou em ter suas regras impostas por pais, professores e sociedade – de tempos em tempos tem seu rigor aliviado e deve se adequar às regras informais, coloquiais, incentivada pela infinidade de momentos em que a expressão se torna mais importante do que suas restrições.

Pensando pelo lado “maldita inclusão digital que nem sabe escrever e já sai escrevendo no Face”, isso é péssimo, mas, pensando no dia-a-dia, quando lemos dezenas de artigos e escrevemos outras dezenas, seja na internet, na redação, ou mesmo mentalmente, vemos que tudo está a favor de uma linguagem flexível e compreensível, tanto para o cidadão de pensamento simples como para um doutor. Isso se repete sempre e dada sua ciclicidade não tão óbvia – a não ser que você tenha lido dezenas de edições de livros de gramática da língua portuguesa – talvez muito do que consumimos e produzimos já fora considerado gramaticalmente errado.

Portanto, pode parecer estranho, mas em um futuro bem próximo – observada a forma como os brasileiros estão escrevendo – as seguintes mudanças na língua portuguesa poderão ser mais aceitas, senão oficializadas:

Desobrigação do R ao final do verbo através da transformação da palavra em oxítona

Vamos lá toma umas cervejas e conversa um pouco

Aceitação do pronome oblíquo “mim” antes de um verbo

Antes eu não conjugava os verbos de forma correta. Agora mim pode conjugar

Flexibilização da concordância nominal

Eu fui comprar uns jogo no Centro

Advérbio de intensidade mais como conjunção adversativa mas

Escrevo assim mais nem ligo

Nesse momento eu penso em… “cruzes!”, mas não importa. Eu estou longe de escrever bem, portanto, longe de ter razão em criticar quem não escreve seguindo todas as normas.

Provocações + Gabações

Vou parar de me gabar por ter um smartphone, um bom computador, um bom trabalho com um nobre título. Espero que todos que possuem um bom tênis, um bom carro, o melhor smartphone ou o melhor sonho material façam o mesmo. Vou começar a me gabar por ter um teto, água potável, esgoto encanado, comida na mesa e a oportunidade de sair de casa sem medo de levar um tiro de lugar nenhum. Porque, afinal, o sentido da “gabação” é se sentir superior ao indivíduo ao lado por ele não ter o que você não tem. Mas ora, vejo todos os dias pessoas no metrô com seus bons tênis e smartphones doentemente se comparando aos que já tem, sendo esse ato correspondido pelo indivíduo ao lado. Portanto, não há mais sentido em tal tipo de gabação. Todos já chegaram ao topo com seus bons computadores e bons trabalhos de nobre título. Agora chegou a hora de fazer a gabação valer a pena. Vamos nos gabar para os que vivem abaixo da linha da pobreza, para os que comem palma todos os dias e consideram um raro calango uma iguaria chique para seus padrões. Vamos nos gabar para quem tem que fazer suas necessidades fisiológicas em um buraco no meio da terra – junto a outras 100, 200 pessoas. Vamos nos gabar para aquele garoto obrigado pela mãe a pedir uns trocados no farol e pra sua irmãzinha que está se prostituindo a duas quadras.

Mais importa exibir nosso mundinho cada vez mais fechado em uma vitrine mentirosa.

Doentes.

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