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Archive for the ‘internet’ Category

Querido leitor (de RSS)

Estou com um costume babaca de postar coisas no Twitter e no Facebook para logo depois replicá-las por aqui. Não sei se é bom, mas de qualquer forma é legal escrever de maneira mais extensa.

Eu, como o equivalente a estádios lotados de pessoas que não estão lá para ver um jogo mas para ler e se informar e fazer sua neurose midiática crescer – calma, respira. De novo: eu, como milhões de pessoas, também estou meio zonzo, assustado, chocado e desolado após abrir o Google Reader e me deparar com essa imagem infame:

Brincadeirinha, RISOS, a imagem chocante é essa aqui:

É… Triste.

O Reader foi uma importante ferramenta na minha vida. Na verdade, o conceito de leitura que o Reader propõe se tornou uma importante ferramenta na minha vida. Ele está no top X das minhas melhores descobertas de 2008, ao lado do Twitter. Foi essa a parceria que me fez  criar dependência pelos dois. Grandes amigos no Twitter, grandes compartilhamentos no Reader. E assim foi até anunciarem o Plus e removerem todas as features sociais do Reader. Aquele foi o primeiro apocalipse e a Humanidade perdurou por mais alguns anos, sobrevivendo no subterrâneo e fugindo das sentinelas, até que passou, passou, passou um asteróide, e nele estava escrito que em 1º  de julho o Reader morreria.

Foram dois baques, duas afrontas a um público leal que quer da internet mais do que 9gag e “humor no face”. Afirmação meio dúbia, porque, na verdade, seja qual for o conteúdo, o Reader tem um público formado por um punhado de viciados. Porque aguentar sorrindo a mesma tela todos os dias, sem muitas mudanças ao longo do tempo não é fácio e é coisa de viciado. Ou de suporte técnico, de caixa de supermercado ou de usuário de XP e IE6. Mas o barato lòco era o conteúdo e talvez por isso, nós, os viciados, não ligávamos tanto para o mesmo visual. WordPress tem feeds, Tumblr tem feeds (yay), muitos bloguinhos codificados na mão tem feeds e o Reader no final é só um proxy que arranca o layout fora e desbota um pouco das cores da viagem de um point de LSD. Mas não todas.

Aí fizeram uma petição pedindo para o Google manter a droga deles. Ao mesmo tempo surgiu uma espécie de votação para decidir e apontar qual será o substituto do Reader. Spoiler: Feedly disparado.

Eu cheguei a dar uma olhada em alguns serviços e a conclusão é de que já deveria estar usando outras opções desde o primeiro readerpocalipse. Porque no final todos são iguais: servem para ver tumblrs com scroll infinito.

Piadinhas a parte (pelo menos neste parágrafo), eu vejo uma coisa muito engraçada em toda essa comoção, principalmente sobre a petição: o Google não dá sinais de que vá se esforçar para fazer o Reader evoluir e agora temos opções realmente muito legais para substituí-lo. Mesmo que ela dê certo e convençamos (sim, eu assinei) o Google a voltar atrás com tão infame decisão, quem em sã consciência iria continuar a usar um produto que mesmo antes de ser moribundo já demonstrava uma certa defasagem perante os concorrentes?

“Anunciaram a eutanásia do Google Reader e todos (os seus usuários) correram pra puxar o fio do respirador, essa é a verdade.” – René Descartes

Um receio particular sobre a extinção do Reader era sobre conteúdos antigos que já não existem mais em suas origens, como blogs e posts apagados e nisso o cache do Reader era imbatível. Cheguei a testar o The Old Reader mas não deu certo pela ausência de cache. O Feedly, por ter um backend integrado ao Reader, mantém um cache. Considerando essa feature, o Feedly é meu eleito.

Só que eu também lia os feeds do Reader no Gravity que usa diretamente o Reader como backend. Não quero mais escrever e deixo o questionamento a ser realizado após uma profunda reflexão embasada em um post sem conclusão de um blog irrelevante: o que será de nós?

Cansado

Como um velho usuário de internet (desde 1997) eu devo dizer que prefiro muito mais o tempo em que o acesso era restrito, o fluxo de conteúdo era menor e informações pessoais não eram exibidas em excesso. Só poder entrar depois da meia-noite para pagar mais barato pela conexão era o que dava a graça de um mundo para poucos.

Naquela época, conhecer pessoas era mais emocionante e você quase nunca via a foto da pessoa de cara, fazendo infindáveis perguntas para descobrir com quem estava conversando e o que tinham em comum. Nosso ponto de encontro era o UOL ou o IRC (para usuários um pouco mais avançados), nossas conversas e construções de amizades mais íntimas rolavam no ICQ ou no MSN. Nossas “comunidades” eram blogs e grupos de e-mail. Tão raras eram as descobertas de pessoas com gostos semelhantes que o valor que dávamos às conexões era muito maior. O maior contraste disso tudo é dos muitos cliques e muitas teclas para formar uma amizade contra um só clique para destruir uma amizade, hoje.

Não haviam exabytes de espaço para nossas fotos – podíamos postar no máximo uma foto por dia no Fotolog. Baixar uma foto demorava minutos. Baixar uma música demorava horas. Nós ficávamos afoitos para falar com as paqueras online porque celular era caro e só servia para fazer ligações e enviar torpedos. O compartilhamento não era instantâneo, disquete era caro, gravador de CD era raro, cabo USB era lento, scanner era lerdo, uploads também duravam horas.

Tudo isso aqui pode parecer novo e empolgante pra você, mas eu já usei demais e estou largando aos poucos. Veja bem, não estou me gabando de ter tido tudo isso antes de você, só estou dizendo que brinquei muito de internet e cansei. Como um avô que brinca com seu neto e não tem mais tanta energia para segui-lo.

Eu tenho Facebook, mas não uso Facebook. Não estranhe se eu não interagir muito. Não sou anti-social, sou hiper-social; estou contra a maré, desejando mais e mais que as relações humanas voltem a ser como eram antes: desconectadas de uma máquina.

Charlie Brown, isso é Charlie Brown, mané!

Não é pagação de pau post-mortem não, mas ao mesmo tempo em que me sinto mal e não pertenço a comoção coletiva pela morte do Chorão, me sinto bem sabendo que Charlie Brown Jr. fez parte da minha adolescência e relembrando lá meus 16 anos,um baixo de 100 reais, mandando “Zóio de Lula” e “Hoje Eu Acordei Feliz”. Tem coisa melhor do que curtir o artista que você curte imitando o que eles fazem?

2 – Acho uma bosta esse monte de miolo mole falando “ah, vocês nem lembravam dele agora são os fãs número 1”. OK, corretos em partes, mas errados em falar isso enchendo o peito porque como todo mundo em todo o mundo, também está sujeito as manipulações de marketing da mídia. Todos escutaram CBJr. em algum período da adolescência e isso só aconteceu porque alguém pagou pra tocar no rádio. Aí o destaque foi ficando menor e as cabeças foram expandindo, conhecendo coisas novas. Isso é simples de explicar, isso é evolução. Hoje em dia quase ninguém é fã, mas os fãs reais da banda existem e fazem parte de um grupo bem mais restrito, o que, mesmo assim, não dá abertura nem direito a ninguém de comparar e diminuir a dor e o sentimento ruim de perda, seja de um fã ou seja de quem foi fã e só lembrou agora pelo impacto do fato.

3 – Observem as composições: tinha muita coisa legal e positiva sendo dita ali. Pro Chorão jogar tudo pro alto e negar até o que pregava nelas, a BARRA DEVE TER SIDO MUITO FODA.

4 – Gente velha de espírito, ranzinza e arrogante não tem ídolos. E se tiver, quando morrerem, vai entrar em contradição porque vai fazer a mesma coisa que todos fizeram: luto e repercussão dos pêsames.

E agora, por favor, se coloquem no lugar das pessoas que estão prestando homenagem e respeitem a porra do luto porque ninguém, absolutamente NINGUÉM vai ser melhor do que o outro por expressar que não sente nada sobre isso. Porque na hora em que alguém que foi importante na sua infância morrer você não vai querer ter seus sentimentos pisados ouvindo que só lembrou agora que tal se foi. Tô errado?

Mais respeito pelo próximo nessa merda.

Vacilo

Tive medo de encarar um processo judicial, por isso não citei nomes.

Por falta de conhecimento do modo como hackers white hat atuam, tive medo de entrar em contato com as empresas relacionadas.

Falo disso Combinação Perigosa e disso Combinação Perigosa II.

Então digamos que de certa forma eu poderia ter ajudado a evitar isso Ataque ‘silencioso’ atingiu mais de 4 milhões de modems banda larga no Brasil e isso The tale of one thousand and one DSL modems.

Foi mal.

Categorias:Divagações, internet

Milagres acontecem

Desde antes do oversharing em redes sociais, desde antes de fazer timelines de vitrines de links, desde antes do StumbleUpon, tenho um costume: adicionar aos favoritos tudo que eu encontro de interessante na internet. Só que isso tem um custo: a quantidade de favoritos interfere no tempo de abertura do navegador. Pra pior.

Desejando que meu navegador não demorasse tanto pra abrir, decidi abrir mão dos favoritos locais e criei uma conta no del.icio.us. Esqueci eles lá e tempos depois, bum! o delicious foi desativado. Lembrei dos favoritos, procurei um “bookmark.html” nos meus backups e nada. Todos aqueles favoritos foram para o limbo não uma, mas duas vezes: quando eu deletei-os do meu computador e quando o delicious se foi.

Já havia desencanado dessa mina de ouro de informações quando recebia notícia de que o delicious estava sendo reativado. Cheio de esperança, fui fazer o login e … “user not found”. Ele voltou, seus dados não. Desencanei de novo.

Sou usuário do Firefox desde a versão 1.0. Não sou xiita apesar de usá-lo durante 99,9% do tempo. Os outros 0.01% são compartilhados pelo Chrome, pelo Internet Explorer (Windows Update) e… pelo Opera! Ele representa uma boa porcentagem do meu tempo de navegação móvel, dividindo espaço com o navegador nativo do Symbian (WebKit) e um novato chamado UC Browser.

O caso é que ele tem um daqueles serviços que uma vez bem configurados se adaptam a nossa vida de forma tão transparente como a de um sistema operacional. Falo do serviço de sincronização cujo funcionamento eu nunca havia reparado, mesmo tendo configurado inúmeras vezes. Não havia reparado até agora por não utilizar o Opera no Windows.

Então foi aí que o milagre aconteceu. Precisei apagar todo o histórico do browser no celular e reparei que mesmo assim, quando eu ía digitar algum endereço, a lista do autocompletar era muito rica, cheia de entradas cuja existência não fazia sentido para um browser seminovo. Então veio o insight: da primeira vez que eu instalei o Opera, mandei ele importar os favoritos do Firefox. Em outra ocasião, configurei o serviço de sincronização. Os favoritos do desktop foram replicados para o celular e voilà, tenho uma mina de ouro em links preciosos de volta.

Porém: backup sempre. Amém.

Social Media Prepotency

Da série “perigos da social media pirralha”, a história começa assim, ou pior, termina assim:

Dois indivíduos tem uma idéia e decidem criar um espaço em uma rede social qualquer para divulgar um determinado conteúdo. Num dia desses, um indivíduo publica algum conteúdo ligeiramente relacionado ao tema que os outros dois indivíduos escolheram para seu trabalho porém com um comentário que de alguma forma ataca o tema, não o espaço. Ao entenderem isso como um ataque indireto ao espaço, uma discussão se inicia, levada para o lado pessoal e muita merda é jogada no ventilador. Quando termina, alguns anos de amizade levaram Shift-Del.

Detalhe importantíssimo  que dá título ao post: os dois indivíduos de alguma forma acharam que o terceiro indivíduo sabia da existência de tal espaço e de que tal espaço era de autoria deles, sem saberem que nessa mesma rede social, o conteúdo gerado por eles já não era observado pelo terceiro indivíduo, graças ao tal do “unfollow” ou “unsubscribe”. Como ele saberia, já que não se interessa pelo assunto e muito menos estava vendo-os falarem sobre o assunto?

O que justifica o título do post é que nesse e outros casos, os criadores de conteúdo foram prepotentes em achar que seu conteúdo de fato atinge a todos. É como se eu postasse algo de um determinado tema no meu blog e puxasse papo com alguém do metrô sobre esse tema, recebendo uma opinião contrária a minha sobre ele e entendendo que a pessoa não gosta do meu blog, lançando-a sobre os trilhos logo após.

Não é porque apareceu na sua timeline que isso vai ter espaço no jornal das 8. Em específico sobre o Facebook, não é porque você postou que vai aparecer na timeline do seu colega, já que seu amigo e subscriber tem a opção de manter a amizade no Facebook mesmo não querendo saber nada do que você fala. A pegadinha está aí, com os botões “Hide all from …” e “Unsubscribe” e com ferramentas como o FB Filter, que bloqueia conteúdo de acordo com palavras-chave. Em específico sobre o Twitter, um follower pode te colocar em uma lista de mute ou no filtro do seu cliente preferido porque você fez flood de algum conteúdo que de alguma forma o incomoda e daí para a frente, seu conteúdo não chega a ele.

Concluindo: a desinformação que leva a esse cenário constrangedor se cura estudando as ferramentas, o modo como as ferramentas podem ou não entregar o conteúdo a quem você quer e o modo como seu público-alvo pode se engajar em discutir e repercutir sobre seu conteúdo, mesmo que você só queira um boca-a-boca preliminar antes de partir para o marketing pesado.

Agora eu vou lá encontrar meus ex-colegas do jardim de infância e perguntar a eles o que acham disso.

Categorias:internet

Combinação perigosa II

Ainda naquele projeto sem objetivo algum, fiz mais algumas descobertas interessantes.

Criei um algoritmo bem simples que obtém a chave WPA utilizada nos roteadores através do BSSID. Como era muito simples e muito sem graça, parti para algo um pouco mais avançado: o uso de APIs do Google Geolocation e da Skyhook Wireless para identificar a localização de um access point cujos dados eu obtive usando meu scanner de roteadores da <nome da operadora boba aqui> que estão vulneráveis.

Com a API da Skyhook Wireless não me dei muito bem, achei perda de tempo instalar um SDK e estudar alguns códigos em C. A do Google é bem mais objetiva, usa JSON e é bastante rápida. Um array, um json_encode(), algumas chamadas a cURL Lib, um POST e voilà, o Google me dá a localização do access point, com latitude, longitude e endereço completo aproximado. Vale dizer que é aproximado porque como não há garantia de precisão, o número da residência é na verdade um range que equivale aos números que estão no quarteirão.

Fiz um teste, um mock no PHP com o BSSID do meu roteador antigo (um TP-Link sem essas falhas bizonhas de segurança), que havia sido gentilmente captado pelos carros da Skyhook há cerca de 1 ano atrás. Como o Google está sempre certo, o endereço que a API retornou era mesmo o da minha rua e meu quarteirão.

Sendo assim, em 15 minutos eu fiz um outro script que lê os BSSIDs que estão registrados no meu banco de dados (cerca de 42 mil!), faz uma consulta ao Google e grava o retorno no banco, associando o BSSID a um endereço e uma coordenada geográfica. Em mais 5 minutos, fiz um script que gera um KML com essas informações, facilmente importável no Google Earth. O resultado foi esse:


BSSID2GEO?

Cada ponto é um roteador sem fio de um cliente de tal operadora. O rótulo dele é o id do registro no meu banco de dados. O original tem o BSSID completo, mas prezando pela privacidade dos consumidores, decidi mascará-lo.

Continuo sem a mínima vontade de usar isso em meu benefício – a diversão e a soma de conhecimentos são os maiores que eu costumo obter nesse tipo de experiência -, mas há uma certa curiosidade em saber o que a operadora faria se eu enviasse esses resultados pra ela.

* Acho que eu misturei tudo. Não tenho certeza se a Skyhook compartilha o banco de dados com o Google ou se o Google usa as informações captadas pelos carros do Street View.

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