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Posts Tagged ‘nostalgia’

Cansado

Como um velho usuário de internet (desde 1997) eu devo dizer que prefiro muito mais o tempo em que o acesso era restrito, o fluxo de conteúdo era menor e informações pessoais não eram exibidas em excesso. Só poder entrar depois da meia-noite para pagar mais barato pela conexão era o que dava a graça de um mundo para poucos.

Naquela época, conhecer pessoas era mais emocionante e você quase nunca via a foto da pessoa de cara, fazendo infindáveis perguntas para descobrir com quem estava conversando e o que tinham em comum. Nosso ponto de encontro era o UOL ou o IRC (para usuários um pouco mais avançados), nossas conversas e construções de amizades mais íntimas rolavam no ICQ ou no MSN. Nossas “comunidades” eram blogs e grupos de e-mail. Tão raras eram as descobertas de pessoas com gostos semelhantes que o valor que dávamos às conexões era muito maior. O maior contraste disso tudo é dos muitos cliques e muitas teclas para formar uma amizade contra um só clique para destruir uma amizade, hoje.

Não haviam exabytes de espaço para nossas fotos – podíamos postar no máximo uma foto por dia no Fotolog. Baixar uma foto demorava minutos. Baixar uma música demorava horas. Nós ficávamos afoitos para falar com as paqueras online porque celular era caro e só servia para fazer ligações e enviar torpedos. O compartilhamento não era instantâneo, disquete era caro, gravador de CD era raro, cabo USB era lento, scanner era lerdo, uploads também duravam horas.

Tudo isso aqui pode parecer novo e empolgante pra você, mas eu já usei demais e estou largando aos poucos. Veja bem, não estou me gabando de ter tido tudo isso antes de você, só estou dizendo que brinquei muito de internet e cansei. Como um avô que brinca com seu neto e não tem mais tanta energia para segui-lo.

Eu tenho Facebook, mas não uso Facebook. Não estranhe se eu não interagir muito. Não sou anti-social, sou hiper-social; estou contra a maré, desejando mais e mais que as relações humanas voltem a ser como eram antes: desconectadas de uma máquina.

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Sexcentésima…

…sexagésima sexta tentativa de ter um blog decente – ou não.

Minha vida de bloqueiro começou lá pelos ídos de 2003, usando o mediano BLiG, o blog do iG. Essa coisa de blog estava estourando no Brasil; era uma alternativa bem simples ao que regrava na época: ter um site feito no Frontpage e hospedado no Geocities (ou no hpG). Importante: 70% dessas páginas vinham com o infame “<body bgsound…” apontando para um arquivo .MID tocando alegres músicas interpretadas piamente em um teclado. 100% das páginas tinham pelo menos um .GIF e 50% delas eram baseadas na estrutura de menu-conteúdo com frames. 50% destas usava topo-menu-conteúdo. Eu inovei no meu último site (2002…): topo-menu-conteúdo-rodapé com reloginho e player de MID.

Ah, tenho até saudades desses tempos. Nossos comunicadores eram o UOL, para conversar com todo mundo; o IRC, com as panelas; e o ICQ, para os amigos. Fotos: quase ninguém tinha no computador. Se tinham, eram normalmente escaneadas. Rolava um medo de enviar, mas quando enviadas, eram por e-mail – cuja inbox era 700 vezes menor do que as que utilizamos atualmente. E hoje ninguém consegue imaginar o que é ter uma vida online com 10 megas de armazenamento. Fazer buscas era com o Cadê? utilizando um sistema de diretórios. Quer dizer, pro site aparecer, um e-mail tinha que ser enviado e o site incluído na listagem. Esse modo de navegação era mais organizado, não dependia de page ranks, SEO e outras baboseiras.

Os HDs tinham no máximo 40 gigas, era a época do Pentium III e do AMD K6 (II 500, sendo mais específico). Windows era o 98 e o Linux não tinha uma apresentação suficientemente doméstica para emplacar. Firefox? Opera? Chrome? Netscape dominava, Internet Explorer era o 5 e no máximo o MSN Explorer. Espantado com 256 gigas de armazenamento em um pedaço de plástico? Na época, ter um pendrive de 64 megas era um luxo e o mouse era de bolinha. O espanto real foi em 2003 quando colocaram 5 gigas em um smart card, aquele chipzinho do seu cartão do banco.

Orkut? Facebook? Twitter? Antes mesmo da web receber as denominações de social, colaborativa e “2.0” – atenção amigos, revelação bombástica – a internet já era social! A vida sociovirtual era baseada no Geocities, nos grupos de e-mail e fóruns de discussão no estilo inForum (da inSite!).

Acha que passar o dia inteiro conectado, usando e abusando de tantas ferramentas é insuficiente e se pudesse, faria o dia ter 36 horas? Naquela época o único horário plausível de acordo entre os filhos, os pais e a conta do telefone era esse: em dias da semana, só a partir da meia-noite; no sábado a partir das 14h e domingo liberado. Preciso dizer que internet era discada e que uma MP3 chegava em 30 minutos? Eu afoitamente aguardava uma imagem ser carregada aos “tecos”. Conheci esse mundo 1998, no final de um vulgo “cursinho de informática”. Em 2001 eu vendi minha alma quando meu pai adquiriu um computador e me rendi a esse mundo. Fui na banguela da discada até 2004, quando me tornei usuário de banda larga. Esse nome era um apelido carinhoso perto dos 128 Kbps que a operadora fornecia.

Voltando ao início do post, que eu me lembre, minha vida de blogueiro passou desde o “It’s My Life” – inspirado na música do Bon Jovi, no BLiG; “New Metal Até Os Ossos”, também no BLiG, mas trocado pelo Weblogger quando ganhei um template de uma amiga; “Clitóris Nervoso” em colaboração com outra amiga, alguns sobre radioamadorismo, eletrônica e blablabla que eu não lembro os nomes, até um outro de 1 ano atrás com alguns códigos inúteis, meio frustrado e congelado por causa da faculdade.

Tenho dito e agora eu encerro a nostalgia. Aproveitem a minha sexcentésima sexagésima sexta tentativa de criar algo legal para expor minhas idéias. Não tenho idéia do que falar aqui. Tentarei um equilíbrio entre os posts pessoais, os relacionados à programação, comentários infames/ilícitos/desnecessários e o resto.

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